quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Porque me canso?

É simples. Porque há coisas que de tão idiotas que são, gastam uma pessoa.
É óbvio que o Mr. tem um pai biológico. Todos temos um. E devem ter uma relação, devem ver-se, devem conhecer-se.
Mas também é óbvio que o Mr. tem uma mãe biológica: eu. E devemos ter uma relação também, passar tempos juntos, fora das rotinas velozes do dia a dia.
Agora imaginem-se.
Começa a semana, 2ª feira. Acordar, vestir, levar para a escola. Final do dia, ir buscar, chegar a casa, dar banho ao Mr., fazer jantar, dar de comer, pôr a dormir. Rotinas estas que se repetem até 5ªf. À 5ªf, a partir das 16h, é suposto o pai B ir buscá-lo. Às vezes avisa-me a que horas chega (quando mando um sms a perguntar, se não... azar) e chega sempre antes da hora prevista. Porquê? Simples. A mãe, eu, é que pode ir buscar o filho à escola, a escola não o entrega ao pai sem a mãe (encarregada de educação) presente. Vai daí, para arranjar confusão, avisa uma hora e chega meia-hora antes. A escola, que já foi avisada e já viu isso acontecer (em 3 semanas) liga-me logo se o pai chegar e eu não estiver - trabalho a 2 minutos de distância.
E lá me despeço e ele vai embora.
Tento ligar uma vez por dia para falar com ele. Isto é, vai na 5ªf: ligo uma vez 6ªf e outra vez Sábado. E tenho muita sorte se me atenderem e mais sorte ainda se me atenderem nas primeiras tentativas.
Domingo: a hora prevista de entrega é às 19h. Já andamos nestas andanças à meio ano. Chegou uma vez às 19h e outra vez às 19h10. Fora isso, quase sempre entre as 20h e as 21h30. E já desisti de ligar a perguntar a que horas chega ao Domingo.
O Mr. chega com um feitio de meter medo. Só não digo que não é o meu filho porque fisicamente se vê perfeitamente que é ele. Mas só fisicamente.
Dar banho, dar de comer (que preparo para estar pronto a partir da 19h - ou pelo menos bastante adiantado), pôr a dormir.
Segunda semana igualzinha a esta. Sem tirar nem pôr.
A terceira semana, é quando voltamos às nossas rotinas e temos o Mister connosco durante esse fim de semana. Durante esses 10 dias seguidos o pai B não liga. Não pergunta. Não faço ideia se pensa sequer no filho. Mr. volta a ganhar peso que perdeu nas semanas anteriores, deixa de ter olheiras e volta a ser o menino de 3 anos e meio que é.
Na semana seguinte, é voltar ao início deste post. Temos um fim de semana de Mister de 3 em 3 semanas. Se acho justo que o pai passe mais tempo com ele do que nós? Claro que não. Se acho este sistema normal? Claro que não.
O Mister emagrece, falta à 6ªf à escola, anda cansado e com olheiras. O pai B mora a 350km de nós. São 2100km por mês só de viagens para o miúdo. E não acho isso normal.
Lendo os relatórios feitos pela segurança social:
- o pai a queixar-se das viagens mas que de resto está contente com o sistema de visitas. Refere que o menor parece cansado e que era melhor fazer as viagens de comboio;
- a mãe a queixar-se dos efeitos negativos no menor deste sistema; a educadora a confirmar; a psicóloga a confirmar; a mãe a dizer que o menor anda cansado e deveriam mudar o número de visitas; e a defender o porquê de continuar com a guarda do menor (que o pai pediu mas não fala do assunto no relatório).


Estou cansada, claro. Durante quase 1 ano o pai quase não veio ver o filho. Não ajudava em nada. De repente pede a guarda e dão-lhe estes direitos todos sem saber antes se é capaz ou não, se merece ou não. Sei perfeitamente que o pai é incapaz de tratar do filho sozinho. Morei com ele e lembro-me. É a avó.
Ao pai B bastou aparecer e dizer que queria, não lhe perguntaram mais nada. Pedem relatórios, que estão prontos desde meados de Julho e até agora nada. Não me chamaram para nova audiência.

É só um desabafo, estou cansada. Estou cansada de ter de olhar para um calendário e contar fins de semana para poder organizar-me. Estou com saudades de levar o meu filho a visitar os bisavós, a família do interior, ou até fazer fins de semana fora com ele. Porque de cada vez que penso em fazer isso começo a fazer contas de cabeça aos km's que lhe vou pôr em cima - e não quero cansá-lo mais.

E ter a família materna com saudades dele, que também pouco o vêem. E aí a culpa é minha, que sou egoísta. Se só tenho um fim de semana de 3 em 3 semanas, custa-me partilhar esses momentos...

Enfim, resumindo, estou cansada. Hoje então, mais cansada.

12 comentários:

Brisa disse...

Perante um post destes fico sem saber muito bem o que dizer. Por isso, cá vai um abracinho, virtual mas cheio de carinho!

Cate disse...

Que merda, isto é tão injusto. Enfim, abracinho virtual também! Força.

Suspiro disse...

Ao ler relatos como o teu não sei o que é preferível: não ter pai de qualquer maneira nem feitio como é o caso da minha princesa, ( sendo que este mora a 5km de nós) ou estar na tua situação. Acredito que deve ser do mais complicado que há, não me imaginaria na tua situação! Vamos esperar e ter esperança que tudo se resolva da melhor maneira principalmente para o pequenino... Porque é ele que interessa no meio disto tudo. Beijocas e muita força que bem precisas! ;)

só 1 mulher disse...

1 beijinho muito grande (tu sabes como eu te entendo)

Patita disse...

É uma situação muito triste. Só te digo uma coisa. Não desistas!!

bjs

Rita G. disse...

Uma situação complicada, as coisas não deveriam ser assim! Um bj e que tudo começe a resolver-se.

Crente disse...

Resumindo: obrigada a todas pelos mimos. Ontem foi dia de entrega do Mister ao pai e deu direito a discussão (deduzo que já tenha falado com o advogado dele e não deve ter gostado dos prognósticos). Foi triste, principalmente por estar lá o pequeno que não tem culpa nenhuma. Portei-me bem, mas fiquei com um ódio imenso por ter de ouvir desculpas e mentiras que nada têm a ver com o que é importante: o filho que temos em comum.
Tenho a certeza que esta história não acabará bem. E isso entristece-me.

Suspiro: preferia assim, que o pai não quisesse saber. O Mister tem alguém que o ama como pai de verdade, mesmo sem laços de sangue. Também terás isso, não te preocupes :)

Paula NoGuerra disse...

Minha linda,
Poderia-te aqui escrever coisas sem fim, mas no fundo digo-te que compreendo a tua frustração. Eu jamais admitiria tantos fins de semana fora, um fim de semana para cada um, assim é que deveria de ser. Para todos terem o mesmo tempo pois durante a semana é mais a correria do dia a dia, apesar dele estar mais contigo nesses dias, mas o fim de semana é importante para o "verdadeiro tempo" que se passa juntos, certo?

A vida nem sempre corre como queremos, infelizmente... tenho a minha filha que desde os 10 anos (e ela já tem 16) é acompanhada por psicólogos por causa do pai que tem. ( E isto até aos dias de hoje). Com problemas de Anorexia, pesadelos, choros e com muito pouco sucesso escolar... isto para não falar do meu filho. Mas neste momento os meus filhos não vêm e nada sabem dele o pai há mais de 1 ano, e se prefiro assim??? Apenas te posso dizer que quem sofre são eles, e eu por os ver a sofrer e eu não poder fazer nada...
Isto é com os meus filhos, pois também vivo outra lado, que é o meu marido e filhota dele que não vive connosco. E em relação a isto apenas te posso dizer que há pessoas boas... e o meu marido adora a filha e não faz mais por ela porque: ou não pode ou não lhe deixam. E enquantos umas (como nós) têm uns "ex" que não se preocupam literalmente com os filhos, à outras em que não se dá o devido valor ao pai que os filhos têm. Existe de tudo, mas para quem quer o bem dos filhos um dia tudo isto irá passar.

Força e coragem!
De uma mãe para outra!!!

JU disse...

Estas histórias deixam-me sempre tristes.
Bem...toma lá outro abracinho virtual e tenta descansar que a ver pelo texto bem precisas.

Madame Pirulitos disse...

:(
As coisas não são a maior parte das vezes como deveriam ser.
Enquanto psicóloga faz-me sempre tanta impressão o não ligarem ao parecer de um técnico (ou de dois ou de três). parece que só os/nos chamam porque é obrigatório, mais nada.

Custou-me imenso ler-te, Gostava de poder ajudar. Infelizmente há muito pouco a fazer. Ainda por cima não se percebe se o pai do teu pequenito percebe o que se está a passar; e se percebe, se não muda este sistema por amor ao filho ou por teimosia... a mente humana é tão complicada.

para já deixo-te um grande, grande beijinho

Não sei se vais ler este post porque está cá mais para trás. Mas memso que não vejas, sinto exactamente isto.

Crente disse...

Madame Pirulitos: Eu leio todos os comentários :) Obrigada pelas tuas palavras...
Sei que realmente nada posso fazer. O pai nunca vai fazer nada para alterar o que quer que seja em prol do filho. Simplesmente porque entende que lhe quero tirar o Mister. Acaba por ser orgulho também, quando está com ele leva-o a todo lado para todos verem - em vez de aproveitar o tempo para construir uma relação saudável com o filho. A última que me disse: queria inscrevê-lo na equitação - e o Mister tem 3 anos e meio! Não é uma questão do que é o melhor, mas o que parece "bem". É triste e sei que tenho de me habituar... Só que é muito difícil ver o que se passa com o Mister e estar de mãos atadas.
Em todos os processos de guarda deveria existir psicólogo/os. Para os menores e para os pais (ou afins) envolvidos, porque o que conta não devia ser só as possibilidades e as vontades expressas, mas sim todo um contexto.

Obrigado a todos pelas vossas palavras de apoio. Sabe bem saber que tudo que sinto é normal e não sou chanfrada :) Quer dizer, sou um bocadinho, mas isso somos todos.

Beijos

Crente

Sandra - Pais Babados disse...

Aperta o coração, por ti, mas mais que tudo pela criança...

E claro que tens que ser egoista e mimar a criança todo o tempo disponivel....
Sugestão:aproveita o fim de semana que ele nao está para fazeres os jantares e congela em tupperwares individuais, assim durante a semana tentas ter menos stress e aproveitas mais o amor do teu filhote!

beijocas