segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Só eu

Fim de semana passado tive de ir à capital: era fim de semana de levar o Mr. ao pai.
Aproveitei e fiz-me de turista. Estava a precisar de desanuviar e, verdade seja dita, até de mim fiz férias naquele sábado! Máquina fotográfica ao pescoço, o belo do Samsung Galaxy a dar música aos head-phones que, por sua vez, me davam música a mim. Nem ouvia os meus pensamentos, nem o barulho do metro (que digo-vos beautiful people: podem falar mal do metro do Porto "que há e tal não é metro, é um elétrico", mas o da capital chia que nem gente grande! Prefiro o de cá que tem paisagens pela janela e não faz estardalhaço), nem a malta que pudesse estar à volta.
Ora bem, estava eu a mudar de linha de metro, creio que da Verde para a Vermelha, quando vejo à minha frente uma senhora de ascendência oriental, carregada com dois sacos imensos! Um ainda conseguia pegar, mas o outro ia de arrasto. Eis que se depara com a escadaria que teria de descer para apanhar o metro e fica lá parada, claro. Era gente a passar por ela, de um lado e de outro, e só se desviavam sem sequer olhar. Lá vou eu, entretida no meu pensamento sem pensamentos, ao passar por ela páro, pego na alça do saco que ia de arrasto, ela pega do outro lado e "ála que se faz tarde". Esperem, não acaba aqui! Eu sou mesmo gente boa lol
Quando ia sair, na paragem do Oriente, lá estava ela novamente. Voltei a pegar na alça do saco e siga, subir aquela escadaria toda. Chegando fora do metro, lá tiro eu um tampão do ouvido e pergunto-lhe para onde vai. Ela arranhando o português (o que não faz dela uma estrangeira, já que hoje em dia todo o português arranha a sua própria língua) diz que vai para o comboio e pergunta se eu também vou. Ao que respondo que não, que ando a passear e não tenho planos nenhuns. Pego na alça do saco, enfio o tampão no ouvido e siga deixar a senhora, franzina, na plataforma do comboio que ia apanhar. Quando estamos a subir as últimas escadas rolantes, ela pega em 2 moedas de 50 cêntimos e põe-me na mão. Desligo a música e tento explicar que não é preciso, e insiste, que não se preocupe, e insiste, deixe estar, e insiste, não vale a pena, e insiste, agradeço imenso, e insiste, se fosse comigo também gostava que alguém se dispusesse a ajudar, e que é para pagar um café. Ora pois que eu gosto de café e que ela já começava a parecer ofendida por eu não aceitar. Antes que me rogasse uma prega e a boa acção me saísse cara, aceitei.
E o café soube-me lindamente :) Mas não tão bem como me soube ver que a senhora ficou realmente agradecida. Tenho um coração mole, eu sei.

6 comentários:

só 1 mulher disse...

Ainda há umas pessoas simpáticas pela cidade..
;)

1 beijinho e bem vinda

Crente disse...

Obrigada linda :)
Também estou contente por ter regressado..

Beijos

R. disse...

Adorei!

Naná disse...

Pena que nem todas as pessoas são capazes destes pequenos gestos... se assim fosse, concerteza não andaríamos todos às turras uns com os outros!
Fizeste bem em ajudá-la e em aceitar beber o cafézinho com as moedas que ela te deu! Porque estou certa que o fez em profundo sinal de gratidão pelo teu gesto desinteressado!

Costinhas disse...

vês como aqui em baixo tratamos bem a malta que ajuda os outros?!

(mentira, que moro aqui há 36 anos, já ajudei muita gente e nunca me pagaram um café :p)

cheia de sorte, tu! :)

Crente disse...

R. - :)

Naná - Se todos fossemos assim, ninguém sofria de falta de cafeína ;)

Costinhas - Fico a dever-te um café então ;)