É simples. Porque há coisas que de tão idiotas que são, gastam uma pessoa.
É óbvio que o Mr. tem um pai biológico. Todos temos um. E devem ter uma relação, devem ver-se, devem conhecer-se.
Mas também é óbvio que o Mr. tem uma mãe biológica: eu. E devemos ter uma relação também, passar tempos juntos, fora das rotinas velozes do dia a dia.
Agora imaginem-se.
Começa a semana, 2ª feira. Acordar, vestir, levar para a escola. Final do dia, ir buscar, chegar a casa, dar banho ao Mr., fazer jantar, dar de comer, pôr a dormir. Rotinas estas que se repetem até 5ªf. À 5ªf, a partir das 16h, é suposto o pai B ir buscá-lo. Às vezes avisa-me a que horas chega (quando mando um sms a perguntar, se não... azar) e chega sempre antes da hora prevista. Porquê? Simples. A mãe, eu, é que pode ir buscar o filho à escola, a escola não o entrega ao pai sem a mãe (encarregada de educação) presente. Vai daí, para arranjar confusão, avisa uma hora e chega meia-hora antes. A escola, que já foi avisada e já viu isso acontecer (em 3 semanas) liga-me logo se o pai chegar e eu não estiver - trabalho a 2 minutos de distância.
E lá me despeço e ele vai embora.
Tento ligar uma vez por dia para falar com ele. Isto é, vai na 5ªf: ligo uma vez 6ªf e outra vez Sábado. E tenho muita sorte se me atenderem e mais sorte ainda se me atenderem nas primeiras tentativas.
Domingo: a hora prevista de entrega é às 19h. Já andamos nestas andanças à meio ano. Chegou uma vez às 19h e outra vez às 19h10. Fora isso, quase sempre entre as 20h e as 21h30. E já desisti de ligar a perguntar a que horas chega ao Domingo.
O Mr. chega com um feitio de meter medo. Só não digo que não é o meu filho porque fisicamente se vê perfeitamente que é ele. Mas só fisicamente.
Dar banho, dar de comer (que preparo para estar pronto a partir da 19h - ou pelo menos bastante adiantado), pôr a dormir.
Segunda semana igualzinha a esta. Sem tirar nem pôr.
A terceira semana, é quando voltamos às nossas rotinas e temos o Mister connosco durante esse fim de semana. Durante esses 10 dias seguidos o pai B não liga. Não pergunta. Não faço ideia se pensa sequer no filho. Mr. volta a ganhar peso que perdeu nas semanas anteriores, deixa de ter olheiras e volta a ser o menino de 3 anos e meio que é.
Na semana seguinte, é voltar ao início deste post. Temos um fim de semana de Mister de 3 em 3 semanas. Se acho justo que o pai passe mais tempo com ele do que nós? Claro que não. Se acho este sistema normal? Claro que não.
O Mister emagrece, falta à 6ªf à escola, anda cansado e com olheiras. O pai B mora a 350km de nós. São 2100km por mês só de viagens para o miúdo. E não acho isso normal.
Lendo os relatórios feitos pela segurança social:
- o pai a queixar-se das viagens mas que de resto está contente com o sistema de visitas. Refere que o menor parece cansado e que era melhor fazer as viagens de comboio;
- a mãe a queixar-se dos efeitos negativos no menor deste sistema; a educadora a confirmar; a psicóloga a confirmar; a mãe a dizer que o menor anda cansado e deveriam mudar o número de visitas; e a defender o porquê de continuar com a guarda do menor (que o pai pediu mas não fala do assunto no relatório).
Estou cansada, claro. Durante quase 1 ano o pai quase não veio ver o filho. Não ajudava em nada. De repente pede a guarda e dão-lhe estes direitos todos sem saber antes se é capaz ou não, se merece ou não. Sei perfeitamente que o pai é incapaz de tratar do filho sozinho. Morei com ele e lembro-me. É a avó.
Ao pai B bastou aparecer e dizer que queria, não lhe perguntaram mais nada. Pedem relatórios, que estão prontos desde meados de Julho e até agora nada. Não me chamaram para nova audiência.
É só um desabafo, estou cansada. Estou cansada de ter de olhar para um calendário e contar fins de semana para poder organizar-me. Estou com saudades de levar o meu filho a visitar os bisavós, a família do interior, ou até fazer fins de semana fora com ele. Porque de cada vez que penso em fazer isso começo a fazer contas de cabeça aos km's que lhe vou pôr em cima - e não quero cansá-lo mais.
E ter a família materna com saudades dele, que também pouco o vêem. E aí a culpa é minha, que sou egoísta. Se só tenho um fim de semana de 3 em 3 semanas, custa-me partilhar esses momentos...
Enfim, resumindo, estou cansada. Hoje então, mais cansada.
Perante um post destes fico sem saber muito bem o que dizer. Por isso, cá vai um abracinho, virtual mas cheio de carinho!
ResponderEliminarQue merda, isto é tão injusto. Enfim, abracinho virtual também! Força.
ResponderEliminarAo ler relatos como o teu não sei o que é preferível: não ter pai de qualquer maneira nem feitio como é o caso da minha princesa, ( sendo que este mora a 5km de nós) ou estar na tua situação. Acredito que deve ser do mais complicado que há, não me imaginaria na tua situação! Vamos esperar e ter esperança que tudo se resolva da melhor maneira principalmente para o pequenino... Porque é ele que interessa no meio disto tudo. Beijocas e muita força que bem precisas! ;)
ResponderEliminar1 beijinho muito grande (tu sabes como eu te entendo)
ResponderEliminarÉ uma situação muito triste. Só te digo uma coisa. Não desistas!!
ResponderEliminarbjs
Uma situação complicada, as coisas não deveriam ser assim! Um bj e que tudo começe a resolver-se.
ResponderEliminarResumindo: obrigada a todas pelos mimos. Ontem foi dia de entrega do Mister ao pai e deu direito a discussão (deduzo que já tenha falado com o advogado dele e não deve ter gostado dos prognósticos). Foi triste, principalmente por estar lá o pequeno que não tem culpa nenhuma. Portei-me bem, mas fiquei com um ódio imenso por ter de ouvir desculpas e mentiras que nada têm a ver com o que é importante: o filho que temos em comum.
ResponderEliminarTenho a certeza que esta história não acabará bem. E isso entristece-me.
Suspiro: preferia assim, que o pai não quisesse saber. O Mister tem alguém que o ama como pai de verdade, mesmo sem laços de sangue. Também terás isso, não te preocupes :)
Minha linda,
ResponderEliminarPoderia-te aqui escrever coisas sem fim, mas no fundo digo-te que compreendo a tua frustração. Eu jamais admitiria tantos fins de semana fora, um fim de semana para cada um, assim é que deveria de ser. Para todos terem o mesmo tempo pois durante a semana é mais a correria do dia a dia, apesar dele estar mais contigo nesses dias, mas o fim de semana é importante para o "verdadeiro tempo" que se passa juntos, certo?
A vida nem sempre corre como queremos, infelizmente... tenho a minha filha que desde os 10 anos (e ela já tem 16) é acompanhada por psicólogos por causa do pai que tem. ( E isto até aos dias de hoje). Com problemas de Anorexia, pesadelos, choros e com muito pouco sucesso escolar... isto para não falar do meu filho. Mas neste momento os meus filhos não vêm e nada sabem dele o pai há mais de 1 ano, e se prefiro assim??? Apenas te posso dizer que quem sofre são eles, e eu por os ver a sofrer e eu não poder fazer nada...
Isto é com os meus filhos, pois também vivo outra lado, que é o meu marido e filhota dele que não vive connosco. E em relação a isto apenas te posso dizer que há pessoas boas... e o meu marido adora a filha e não faz mais por ela porque: ou não pode ou não lhe deixam. E enquantos umas (como nós) têm uns "ex" que não se preocupam literalmente com os filhos, à outras em que não se dá o devido valor ao pai que os filhos têm. Existe de tudo, mas para quem quer o bem dos filhos um dia tudo isto irá passar.
Força e coragem!
De uma mãe para outra!!!
Estas histórias deixam-me sempre tristes.
ResponderEliminarBem...toma lá outro abracinho virtual e tenta descansar que a ver pelo texto bem precisas.
:(
ResponderEliminarAs coisas não são a maior parte das vezes como deveriam ser.
Enquanto psicóloga faz-me sempre tanta impressão o não ligarem ao parecer de um técnico (ou de dois ou de três). parece que só os/nos chamam porque é obrigatório, mais nada.
Custou-me imenso ler-te, Gostava de poder ajudar. Infelizmente há muito pouco a fazer. Ainda por cima não se percebe se o pai do teu pequenito percebe o que se está a passar; e se percebe, se não muda este sistema por amor ao filho ou por teimosia... a mente humana é tão complicada.
para já deixo-te um grande, grande beijinho
Não sei se vais ler este post porque está cá mais para trás. Mas memso que não vejas, sinto exactamente isto.
Madame Pirulitos: Eu leio todos os comentários :) Obrigada pelas tuas palavras...
ResponderEliminarSei que realmente nada posso fazer. O pai nunca vai fazer nada para alterar o que quer que seja em prol do filho. Simplesmente porque entende que lhe quero tirar o Mister. Acaba por ser orgulho também, quando está com ele leva-o a todo lado para todos verem - em vez de aproveitar o tempo para construir uma relação saudável com o filho. A última que me disse: queria inscrevê-lo na equitação - e o Mister tem 3 anos e meio! Não é uma questão do que é o melhor, mas o que parece "bem". É triste e sei que tenho de me habituar... Só que é muito difícil ver o que se passa com o Mister e estar de mãos atadas.
Em todos os processos de guarda deveria existir psicólogo/os. Para os menores e para os pais (ou afins) envolvidos, porque o que conta não devia ser só as possibilidades e as vontades expressas, mas sim todo um contexto.
Obrigado a todos pelas vossas palavras de apoio. Sabe bem saber que tudo que sinto é normal e não sou chanfrada :) Quer dizer, sou um bocadinho, mas isso somos todos.
Beijos
Crente
Aperta o coração, por ti, mas mais que tudo pela criança...
ResponderEliminarE claro que tens que ser egoista e mimar a criança todo o tempo disponivel....
Sugestão:aproveita o fim de semana que ele nao está para fazeres os jantares e congela em tupperwares individuais, assim durante a semana tentas ter menos stress e aproveitas mais o amor do teu filhote!
beijocas